26 de fevereiro de 2014

Cães conseguem ler emoções nas vozes dos donos

Uma nova investigação pode explicar por que razão o cão é, afinal, o melhor amigo do homem. O cérebro dos cães responde à voz exatamente da mesma maneira que o dos humanos, o que lhes permite ler as emoções dos donos e perceber se estão felizes ou tristes, concluiu pela primeira vez um grupo de investigadores da Hungria.
 
Segundo o estudo desenvolvido por especialistas da Universidade Eotvos Loránd e do centro de investigação etnológico MTA-ELTE, ouvir uma voz leva à ativação, tanto nos humanos, como nos cães, da mesma área do cérebro, quer se trate de uma ordem dada ao animal (por exemplo, "senta") ou de sons emotivos como o choro ou uma gargalhada.
 
Em ambas as espécies, é ativada uma região próxima do lobo temporal, onde se observa uma reação mais intensa sempre que é ouvido um som considerado "feliz", revelou a investigação publicada na revista científica Current Biology.
 
Para chegar a estas conclusões, os cientistas treinaram 11 cães de forma a que estes permanecessem tranquilamente num aparelho de ressonância magnética, comparando as suas respostas a diversos sons humanos (gemidos de dor, risos, choro) e caninos com as de um grupo de voluntários humanos.
 
De acordo com a equipa, embora o estudo tenha mostrado algumas diferenças entre as espécies, os resultados vieram trazer uma nova possibilidade para explicar a relação especial existente entre o cão e o homem para além do facto de estes partilharem "um ambiente social
semelhante". 

Espécies partilham mecanismos cerebrais semelhantes
 
"As nossas descobertas sugerem que [os cães e os humanos] utilizam também mecanismos cerebrais semelhantes para processar informações sociais, o que pode apoiar o sucesso da comunicação vocal entre as duas espécies", explica Attila Andics, coordenador do estudo, em comunicado.
 
Os investigadores constataram que a região do cérebro dos cães associada à voz e ao som respondeu mais fortemente aos sons de outros cães, ao passo que os humanos responderam com maior intensidade aos sons dos seus pares.
 
Nos cães, 48% de todas as regiões sensíveis ao som produziram uma reação mais forte aos sons não vocais, ao passo que em humanos apenas 3% destas regiões sensíveis responderam com maior intensidade a sons que não correspondiam à voz.
 
Ainda assim, a equipa afirma que os resultados do estudo constituem o primeiro passo em direção a uma compreensão mais clara quanto à forma como os cães identificam e interpretam os sentimentos dos donos, nomeadamente através da sua voz.
 
"O método [da ressonância magnética] proporciona um meio totalmente novo de investigar os processos neurológicos nos cães", afirma Andics. "Finalmente estamos a começar a entender de que forma o nosso melhor amigo olha para nós e 'navega' no nosso ambiente social", conclui.
 
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